
Apesar de ser ainda hoje um problema grave, a verdade é que cada vez mais se investe na melhoria da qualidade de vida de pessoas com deficiências. Há cada vez mais uma preocupação e um cuidado em tentar diminuir os obstáculos que estes encontram no dia-a-dia e em responder às necessidades especiais impostas por eles. Isto acontece desde que eles são bem pequeninos. Desde cedo são estimulados a vários níveis (dependendo da deficiência que apresentam), existindo até escolas especializadas neste tipo de crianças. Escolas exclusivamente preparadas para os receber e com profissionais designados para aquele trabalho. Agora levantam-se aqui dois problemas. O primeiro é que a recuperação física destas pessoas ainda é vista como a maior das prioridades dando-se uma importância excessiva a esta. Eu acho que a recuperação física é relevante, mas não que deva ser A prioridade. Penso que um bom desempenho e desenvolvimento intelectual é bem mais indispensável. Só este é o caminho para que uma pessoa com necessidades especiais tenha uma vida dita “normal”. Um bom desenvolvimento intelectual habilita estas pessoas a desenrascarem-se a todos os níveis da sua vida e a lidarem mais facilmente com os problemas causados pelas suas limitações. Além disso, uma limitação intelectual é bem mais complicada do que uma física. O segundo problema é as escolas especializadas. Até que ponto é positivo para uma criança com necessidades especiais frequentar este tipo de instituições? A evolução será, provavelmente, maior e o acompanhamento bastante melhor, contudo, não estamos a fomentar algum género de distinção? Afinal estamos a pôr estas crianças de parte e a evitar o contacto destas com outras crianças ditas “normais”. Estamos a fazer um género de triagem e a separar pessoas da mesma forma que separamos o lixo para a reciclagem. Até que ponto é que é saudável não existir convívio entre os dissemelhantes tipos de crianças? A falta de contacto com a diferença não é positiva e cria ignorância quanto ao assunto o que leva à discriminação. Não deveríamos estar a educar para a aceitação da diferença como algo normal?
